Um avanço científico brasileiro acaba de ganhar destaque global: o bioinseticida Virumix, desenvolvido para combater a lagarta-do-cartucho (Spodoptera frugiperda), demonstrou eficiência superior a 85% em testes de campo realizados em Mato Grosso. A praga, que ataca mais de 200 cultivos – como milho, soja e algodão –, é responsável por prejuízos bilionários à agricultura. O produto, feito à base de um vírus natural (Baculovirus spodoptera), será lançado em 3 de abril de 2025, durante a inauguração de uma biofábrica em Sorriso (MT), marcando um novo capítulo no controle biológico de pragas no Brasil.

Fruto de uma parceria entre Embrapa Milho e Sorgo, IMAmt e Comdeagro, o Virumix é o primeiro bioinseticida microbiológico da linha do IMAmt. Sua fórmula utiliza o SfMNPV, um vírus entomopatogênico que infecta exclusivamente a lagarta-do-cartucho, preservando plantas, animais e seres humanos.

Principais vantagens:
  • Segurança ambiental: não afeta insetos benéficos, essenciais para o equilíbrio do ecossistema.
  • Versatilidade: compatível com outros agroquímicos e indicado para sistemas orgânicos.
  • Custo-benefício: dosagem de 50g/hectare, com embalagem inicial de 2kg (cobre 40 hectares).

“O Virumix é uma resposta à resistência da praga a biotecnologias e agroquímicos. Ele reduz custos e impactos ambientais”, explica Álvaro Salles, diretor-executivo do IMAmt e da Comdeagro.

Como funciona o controle biológico?

O pesquisador Fernando Hercos Valicente, da Embrapa, detalha que o sucesso do produto depende de aplicação estratégica:

  • Monitoramento semanal da lavoura para detectar infestações precoces (lagartas com menos de 1 cm).
  • Aplicação no início da manhã ou após as 16h, quando as temperaturas são mais baixas.
  • Uso de espalhante adesivo para garantir cobertura uniforme.

“Não podemos perder a primeira aplicação. A lagarta ataca o milho uma semana após a germinação”, alerta Valicente.

Biofábrica

A nova unidade em Sorriso (MT) permitirá produção em larga escala do Virumix, inicialmente distribuído pela Comdeagro. O Brasil, já líder global em bioinsumos, vê o setor crescer 14% ao ano, com projeção de ultrapassar US$ 10 bilhões até 2032.

O Virumix foi desenvolvido a partir de um vírus entomopatogênico, o que significa que é específico para combater o inseto-alvo. Foto: Fernando Valicente/Embrapa

“Estamos convertendo nossa biodiversidade em soluções sustentáveis. O Virumix é um exemplo de inovação aberta que posiciona o país na vanguarda da agricultura tropical”, afirma Sara Rios, chefe-adjunta de Transferência de Tecnologia da Embrapa.

O lançamento ocorrerá na Comdeagro (BR-163, Km 712, Zona Rural de Sorriso), com presença de pesquisadores e representantes do agronegócio. A data reforça o compromisso do Programa Nacional de Bioinsumos, criado em 2020 para reduzir a dependência de insumos importados e impulsionar a bioeconomia.

 

Uma curiosidade: o nome Virumix combina “vírus” e “mix”, refletindo a integração de tecnologias naturais no combate à praga.